Como Começar na Psicologia Obstétrica
- Luzia Maia

- 2 de jul. de 2024
- 3 min de leitura
Atualizado: 17 de abr. de 2025
Introdução
Muitas psicólogas me procuram dizendo:
“Luzia, quero muito atuar com gestantes, mas não sei por onde começar.”
Essa dúvida é legítima — e muito comum. Afinal, a psicologia obstétrica envolve mais do que técnica: ela exige escuta, ética, preparo emocional e um posicionamento clínico muito claro.
Neste post, quero compartilhar com você um caminho possível para iniciar sua jornada na psicologia obstétrica, com passos práticos, dilemas reais e uma visão sensível do que é cuidar de mulheres em um dos momentos mais intensos da vida.

O que é a Psicologia Obstétrica?
A psicologia obstétrica é um campo de atuação que se dedica ao cuidado da saúde mental de mulheres durante a gestação, o parto e o puerpério. Mais do que tratar transtornos, ela tem o compromisso de acolher a complexidade emocional que esse período desperta.
Estamos falando de um cuidado que escuta:
As expectativas e medos do parto
O impacto psíquico da gestação
A transformação da identidade da mulher
As vivências de luto, ambivalência e exaustão
Por onde começar?
1. Formação em Psicologia
Esse é o ponto de partida — mas, sozinha, a graduação não te prepara para escutar o ciclo gravídico-puerperal em sua profundidade.
2. Especializações e capacitações em saúde mental perinatal
Busque formações que integrem teoria, clínica e ética, com profissionais que atuem na área de verdade.
3. Educação contínua
Participe de rodas, seminários, congressos. Escute casos. Troque com outras profissionais. A prática perinatal exige constante atualização — e humildade para se formar sempre de novo.
Atuar com gestantes exige muito mais do que vontade de acolher
É comum escutar frases como:
“Ah, eu amo gestantes, quero muito atender nesse público.”
Mas escutar mulheres na gestação e no puerpério é trabalhar com angústias primárias, culpa, medo, raiva, ambivalência — tudo isso ao mesmo tempo. É estar disponível para o sofrimento sem querer “corrigir” a experiência da paciente.
Quais habilidades você vai precisar desenvolver?
Presença empática: escutar além do discurso, com atenção ao corpo e ao não dito
Conhecimento técnico-clínico: entender os principais sintomas, quadros e intervenções possíveis
Capacidade diagnóstica sensível: sem patologizar, mas sem romantizar
Postura ética: saber seus limites, trabalhar em rede, encaminhar quando necessário
O que se faz na prática da psicologia obstétrica?
Acompanhamento psicológico pré-natal (individual ou em casal)
Atendimentos no pós-parto imediato
Apoio em casos de perda gestacional, parto traumático, infertilidade
Grupos terapêuticos ou rodas de escuta
Atuação em maternidades, hospitais, UBSs e consultórios
Técnicas como visualizações ativas, contenção emocional, orientações sobre puerpério, práticas de mindfulness e educação emocional fazem parte da escuta perinatal — sempre adaptadas à singularidade de cada mulher.
E os desafios?
Alguns dos mais comuns:
Lidar com perdas gestacionais e sofrimento agudo
Escutar ambivalência materna sem julgamento
Manter limites saudáveis em situações emocionalmente intensas
Sentir-se insegura diante da complexidade do ciclo gravídico-puerperal
Mas saiba: esses desafios fazem parte do processo — e com supervisão, estudo e rede, você pode atravessá-los com ética e potência clínica.
Conclusão
Começar na psicologia obstétrica é um passo bonito — mas exige mais do que encantamento com a maternidade.
Exige preparo, posicionamento e desejo real de sustentar uma escuta que cuida sem invadir, orienta sem apagar e sustenta mesmo quando tudo está à flor da pele.
Se você sente esse chamado, quero te convidar a dar o próximo passo comigo. Quer atuar com segurança clínica e viver da Psicologia Obstétrica?
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