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Como Começar na Psicologia Obstétrica

Atualizado: 17 de abr. de 2025

Introdução


Muitas psicólogas me procuram dizendo:

“Luzia, quero muito atuar com gestantes, mas não sei por onde começar.”

Essa dúvida é legítima — e muito comum. Afinal, a psicologia obstétrica envolve mais do que técnica: ela exige escuta, ética, preparo emocional e um posicionamento clínico muito claro.

Neste post, quero compartilhar com você um caminho possível para iniciar sua jornada na psicologia obstétrica, com passos práticos, dilemas reais e uma visão sensível do que é cuidar de mulheres em um dos momentos mais intensos da vida.

mulher grávida sentada segurado a barriga e outra pessoa confortando ela com toque na coxa

O que é a Psicologia Obstétrica?


A psicologia obstétrica é um campo de atuação que se dedica ao cuidado da saúde mental de mulheres durante a gestação, o parto e o puerpério. Mais do que tratar transtornos, ela tem o compromisso de acolher a complexidade emocional que esse período desperta.

Estamos falando de um cuidado que escuta:

  • As expectativas e medos do parto

  • O impacto psíquico da gestação

  • A transformação da identidade da mulher

  • As vivências de luto, ambivalência e exaustão


Por onde começar?

1. Formação em Psicologia

Esse é o ponto de partida — mas, sozinha, a graduação não te prepara para escutar o ciclo gravídico-puerperal em sua profundidade.


2. Especializações e capacitações em saúde mental perinatal

Busque formações que integrem teoria, clínica e ética, com profissionais que atuem na área de verdade.


3. Educação contínua

Participe de rodas, seminários, congressos. Escute casos. Troque com outras profissionais. A prática perinatal exige constante atualização — e humildade para se formar sempre de novo.


Atuar com gestantes exige muito mais do que vontade de acolher

É comum escutar frases como:

“Ah, eu amo gestantes, quero muito atender nesse público.”

Mas escutar mulheres na gestação e no puerpério é trabalhar com angústias primárias, culpa, medo, raiva, ambivalência — tudo isso ao mesmo tempo. É estar disponível para o sofrimento sem querer “corrigir” a experiência da paciente.


Quais habilidades você vai precisar desenvolver?


  • Presença empática: escutar além do discurso, com atenção ao corpo e ao não dito

  • Conhecimento técnico-clínico: entender os principais sintomas, quadros e intervenções possíveis

  • Capacidade diagnóstica sensível: sem patologizar, mas sem romantizar

  • Postura ética: saber seus limites, trabalhar em rede, encaminhar quando necessário



O que se faz na prática da psicologia obstétrica?


  • Acompanhamento psicológico pré-natal (individual ou em casal)

  • Atendimentos no pós-parto imediato

  • Apoio em casos de perda gestacional, parto traumático, infertilidade

  • Grupos terapêuticos ou rodas de escuta

  • Atuação em maternidades, hospitais, UBSs e consultórios

Técnicas como visualizações ativas, contenção emocional, orientações sobre puerpério, práticas de mindfulness e educação emocional fazem parte da escuta perinatal — sempre adaptadas à singularidade de cada mulher.


E os desafios?


Alguns dos mais comuns:

  • Lidar com perdas gestacionais e sofrimento agudo

  • Escutar ambivalência materna sem julgamento

  • Manter limites saudáveis em situações emocionalmente intensas

  • Sentir-se insegura diante da complexidade do ciclo gravídico-puerperal

Mas saiba: esses desafios fazem parte do processo — e com supervisão, estudo e rede, você pode atravessá-los com ética e potência clínica.


Conclusão


Começar na psicologia obstétrica é um passo bonito — mas exige mais do que encantamento com a maternidade.


Exige preparo, posicionamento e desejo real de sustentar uma escuta que cuida sem invadir, orienta sem apagar e sustenta mesmo quando tudo está à flor da pele.


Se você sente esse chamado, quero te convidar a dar o próximo passo comigo. Quer atuar com segurança clínica e viver da Psicologia Obstétrica?


Conheça a minha Capacitação em Saúde Mental Perinatal, um curso/extensão universitária, reconhecida pelo MEC, completa para psicólogas que querem mergulhar na clínica com gestantes, puérperas e famílias.

grupo de mulheres grávidas sentadas sorrindo uma para a outra



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